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Não é segredo para ninguém: trabalhamos cada vez mais, descurando a nossairate_customer saúde. A competência e a competitividade do mercado de trabalho a isso nos obrigam. O esgotamento no trabalho é um problema cada vez mais frequente e traduz-se por uma exaustão física, emocional e mental. Pode durar alguns meses ou, em casos mais graves, alguns anos.

Perfil do candidato ao esgotamento

O típico candidato ao esgotamento é um indivíduo extremamente profissional, o trabalhador que dá 200%. Perfeccionista, idealista, auto-motivado e que julga ser capaz de alcançar todas as metas possíveis. Se o seu trabalho obriga ao contacto frequente com pessoas ou impõe prazos rígidos, você é um candidato provável ao esgotamento.

A origem do problema reside no traçar de expectativas demasiado altas, ou mesmo irrealistas e num estilo de vida em que o emprego é a única ocupação e o detentor exclusivo de realização pessoal e preocupações. 

No início, tudo lhe corre bem, você adora o seu trabalho. Encara-o com energia, entusiasmo e as relações com os colegas e com a empresa são as melhores. Mas, de um momento para o outro, os sintomas podem aparecer e tudo pode mudar...


Sintomas - um processo evolutivo

Estará à beira de um esgotamento? Sente-se cansado, desmotivado e nervoso? Conheça todos os sintomas.

Estabeleceu aspirações muito altas e não as consegue atingir. Sente-se agitado e impaciente.

O trabalho deixou de ser agradável. Passa a encarar tudo como uma obrigação e sente falta de reconhecimento pelo trabalho que faz.

As relações profissionais começam a deteriorar-se e você afasta-se dos colegas. Este isolamento é muitas vezes fundado no seu perfeccionismo - acha-se insubstituível e quer fazer tudo por si. Culpa os outros pelo seu fracasso, criticando a organização da empresa, superiores e colegas.

A desilusão e a confusão instalam-se. Algo está mal mas você não sabe apontar os motivos que o levam a sentir-se assim.

Surge alguma insegurança que resulta num esforço profissional ainda maior. Você trabalha cada vez mais numa tentativa de que as coisas corram bem, mas não consegue... Os seus objectivos são irreais. O cansaço, a frustração e a irritação tomam conta de si.

Questiona a sua competência e começa a duvidar das suas próprias capacidades. A auto-confiança diminui drasticamente.

É normal que recorra a escapes como o sexo, álcool, uso de medicamentos e drogas. Refugia-se em festas, noitadas e em compras supérfluas.

Alteração dos hábitos alimentares e do sono. Perda de apetite e insónias - a sua saúde está debilitada e a produtividade laboral desce.

Tudo se conjuga para o seu mal-estar dentro e fora do trabalho. Perde o sentido de humor e as suas relações pessoais ressentem-se. Começa a levar os problemas para casa e a descarregar frustrações nos familiares.

O entusiasmo e a energia iniciais transformam-se em aborrecimento e fadiga crónica. Você é atingido pela depressão, solidão, ansiedade e doença física.

Numa fase terminal deste processo, o sentimento dominante é o desespero. Começa a pensar que o esforço não vale a pena e o pessimismo em relação ao futuro apodera-se de si. Só lhe apetece demitir-se e desaparecer por uns tempos.

Exaustão física, emocional e mental.


Evitar o esgotamento

São várias as medidas que pode tomar no sentido de evitar um esgotamento. Conheça-as.

Descubra-se a si próprio e o que quer da vida profissional. Estabeleça metas realistas a curto e a médio prazo. Escreva as suas conclusões.

Não faça do trabalho o centro da sua vida. A sua auto-estima não deve depender exclusivamente dos seus feitos profissionais.

Encontre o seu ritmo e procure um equilíbrio na sua vida. Evite levar trabalho para casa e invista mais na família, nas relações pessoais e nos hobbies que lhe dão prazer.

Seja exigente consigo próprio mas na dose certa. Estabeleça prioridades e concentre-se nelas. Não queira fazer tudo.

Analise e defina com precisão as áreas, os problemas e as pessoas que trazem mais pressão à sua vida. Aja no sentido de aliviar essa pressão.

A falta de comunicação no trabalho pode levar ao esgotamento. Defina os seus limites e fale com os seus colegas e superiores para que esses limites fiquem claros. Não desenvolva a ideia do que os outros esperam de si - fale, conheça e discuta o que é esperado do seu trabalho.

Aprenda a dizer não quando lhe pedem mais do que lhe é possível fazer.

Não assuma responsabilidades que não são suas. É bom ajudar os colegas mas não exagere. Aprenda a desmarcar-se com graciosidade.

Ponha de lado o seu perfeccionismo e delegue responsabilidades - você não é imprescindível para que o trabalho seja feito. Delegar responsabilidades com justiça não é um sinal de fraqueza ou de incompetência, é um sinal de inteligência e de boa gestão dos recursos humanos.

Ter um modelo a seguir pode ser perigoso. O seu modelo deve ser você mesmo com o seu ritmo, com as suas aspirações.

Desenvolva e aprofunde as suas relações pessoais. Desabafe com as pessoas certas e não acumule frustrações.

Faça exercício físico, tente dormir 8 horas por dia e alimente-se bem. Não salte refeições nem abuse de dietas rígidas.

Evite a rotina. Fazer todos os dias o mesmo trajecto para o emprego, parar sempre naqueles semáforos, sentar-se sempre na mesma secretária e começar o dia com os mesmos telefonemas... a rotina pode ser verdadeiramente desgastante. Procure diversificar o seu dia.

Torne o seu trabalho mais divertido. Seja comunicativo, interaja com os seu colegas, ouça música (pode levar consigo um walkman) e empenhe-se com gosto nas suas tarefas. Encare a vida e o trabalho com sentido de humor para que, mesmo nas alturas de stress, seja capaz de se rir de si próprio e da situação em que se encontra.

Tente cumprir primeiro aquelas tarefas que menos gosta para que não passe um dia inteiro a pensar que as tem que fazer. Se, apesar de tudo, não conseguir encontrar nada que goste de fazer, talvez precise de mudar de emprego.

Não quer mudar de emprego? Então tire férias!


Empregador: detectar sinais e prevenir

Está a coordenar uma equipa de trabalho? Aqui ficam algumas dicas sobre como deve gerir os seus recursos humanos de modo a evitar o esgotamento dos seus colaboradores. Lembre-se que é do interesse de todos.

É importante conhecer as pessoas com quem trabalha. Os melhores trabalhadores são aqueles que correm mais riscos e serão os últimos a ter a consciência de que estão a caminho de um esgotamento. Estão cansados e irritados mas antes de pensar em moderar o trabalho, irão tentar inverter a situação trabalhando ainda mais para se sentirem bem e realizados. Esteja atento aos trabalhadores que exigem demasiado de si mesmos. Arrisca-se a perder um profissional de valor.

Encontre um equilíbrio que permita, simultaneamente, um ambiente saudável e de competitividade. Promova o diálogo no escritório, os almoços em conjunto, jantares da empresa. Seja também crítico pela positiva e elogie o desempenho dos seus colaboradores.

Crie diversidade no trabalho. Não entregue sempre as mesmas tarefas às mesmas pessoas - é bom para os trabalhadores e para a empresa. Terá ao seu dispor pessoas mais satisfeitas, versáteis e capazes de realizar as tarefas de um colega que se encontra ausente.

Envolva os seus colaboradores no trabalho. Uma excelente forma de evitar o desgaste é aumentar o controle que os colaboradores têm sobre o seu trabalho. Um colaborador que tenha a oportunidade de fazer opções, por mais pequenas que sejam, sentir-se-á mais envolvido e realizado.

Certifique-se de que não está a exigir demais com muito pouco. Nem todos os dias os colaboradores podem dar 100%... Tem pessoal suficiente? Os escritórios estão convenientemente equipados? Rentabilize os seus recursos humanos e materiais.

Fonte: Expresso