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Startup desenvolveu aplicação que permite criar call centers de forma fácil e a custos reduzidos através da ‘cloud’.Negócio de call centers move milhões

A Talkdesk, que nasceu de duas cabeças lusas e está a alterar as regras do jogo dos ‘call centers'... A ideia foi esboçada à mesa de um café em dez dias por Cristina Fonseca e Tiago Paiva, ex-alunos do Instituto Superior Técnico. O objectivo foi participar num concurso em São Francisco que pedia uma aplicação que utilizasse comunicações telefónicas. E ganharam. Desenvolveram um software que permite criar um call center de forma fácil e rápida através da ‘cloud'.

"Vendemos exactamente isso: uma solução simples e rápida. A única coisa que é necessária é uma ligação à internet e um computador. A partir desse momento qualquer empresa pode atender chamadas com números em várias partes do mundo, com um custo bastante reduzido e uma interface do utilizador simples e intuitiva", explica Tiago Sousa, engenheiro, a quarta contratação da startup. O software permite ao operador ter acesso a toda a informação do cliente no momento da chamada. Uma funcionalidade tradicionalmente acessível apenas às grandes empresas.

A ideia esteve incubada em Silicon Valley e passou por vários programas de aceleração de startups até se transformar num produto, com um modelo de negócio bem definido.

"Quem adere ao serviço paga consoante o número de agentes que inclui na plataforma, e depois existe um custo associado às chamadas, que por serem através da internet é bastante reduzido. Mas, no geral, quando se trata de comparar esta solução de call center com soluções tradicionais, que normalmente implicam não só um grande investimento na plataforma tecnológica como em infra-estruturas para alojar as equipas, tornamo-nos bastante competitivos", sublinha Tiago Sousa.

Criada em 2011, a empresa está instalada no Taguspark, em Porto Salvo. Mas a sede é em São Francisco, nos Estados Unidos. O financiamento não tem sido um problema para a Talkdesk, que tem angariado investimento de fundos de capital de risco norte-americanos, em sucessivas rondas. Entre os investidores estão a 500 Startups, a Storm Ventures e, mais recentemente, o fundo DFJ, que tem no seu portefólio startups como a Skype e a Box.

Em 2014 a empresa facturou quatro milhões de dólares, cerca de três milhões e meio de euros. E este ano prevê triplicar os números. É uma das startups da área do "software as a service" (SaaS) que mais crescem no mundo.

"Até há bem pouco tempo eramos só nós em Portugal e o Tiago nos EUA. Entretanto, a equipa nos EUA começou a crescer, especialmente na parte de vendas. E desde essa altura temos vindo a construir uma equipa de engenharia em Portugal, que tem crescido bastante em termos de número, e também de capacidade de trabalho".

Uma equipa de engenharia que tem que garantir que a empresa se mantém na vanguarda. "Temos alguns concorrentes, alguns que vieram desse mundo mais tradicional dos call centers que tentam incluir nas suas ofertas soluções baseadas na ‘cloud', como é a nossa. Mas dado o tempo que já temos de desenvolvimento do produto, tentamos estar sempre um passo à frente, quer ao nível de funcionalidades como de custo. A marca distintiva do nosso produto é a inovação, de estarmos a criar uma disrupção numa indústria que estava bastante estabelecida ".

Com o aumento das vendas, a qualidade do serviço prestado aos mais de dois mil clientes, a maioria nos Estados Unidos, é um desafio. E nada melhor do que um antigo utilizador do produto para se encarregar de que nada falha.

"Eu era cliente da Talkdesk o ano passado, quando estava a trabalhar para outra empresa. Tenho um ‘background' em operadoras de telecomunicações, estava a gerir o call center da empresa, e decidi usar o Talkdesk. Sou responsável por construir a equipa e por tomar conta dos clientes, assim que se tornam clientes. É importante para nós que prestemos um óptimo serviço".

O britânico tem o perfil que a Talkdesk procura e precisa. Empreendedores com experiência em start-ups. Pessoas "go fast" que os fundadores dizem ser difícil encontrar em Portugal".

A Talkdesk está na linha da frente de um mercado que vale 20 mil milhões de dólares, cerca de 18 mil milhões de euros, segundo a DMG Consulting. A empresa está a planear a mudança doTaguspark para o coração da cidade de Lisboa. Tem a ambição de se tornar uma empresa de referência a nível europeu. E quer que a capital portuguesa facilite a atracção e retenção de talento. Um dos grandes desafios da start-up portuguesa.

Fonte: Económico