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Quanto mais filhos uma mulher tiver, mais provável é que trabalhe a tempo parcial, conclui o Eurostatfamille 33

Mais de 45% das mulheres residentes na União Europeia que, em 2014, tinham três ou mais filhos, trabalhavam a tempo parcial. No caso dos homens com três ou mais filhos, só 7% trabalhava a tempo parcial. Num relatório publicado esta segunda-feira, a propósito do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, o gabinete de estatísticas europeu chega a uma conclusão que não é novidade, mas que importa lembrar:

“A nível da União Europeia, quanto mais filhos uma mulher tiver, mais provável é que trabalhe a tempo parcial, enquanto o oposto é verdadeiro para os homens, pelo menos até aos dois filhos”.

Perto de um terço das mulheres trabalha em part-time quando tem um filho. Só 5% dos homens faz o mesmo

Os dados do Eurostat sustentam a afirmação: 20% das mulheres com idades compreendidas entre os 25 e os 49 anos, sem filhos, têm trabalhos em part-time; a percentagem sobe para 31,3% no caso das mulheres com um filho, 39,2% quando têm dois filhos e 45,1% entre as que têm três ou mais filhos.

No caso dos homens no mesmo intervalo de idades, as percentagens nunca chegam aos dois dígitos: 8,2% dos que não têm filhos trabalham a tempo parcial; 5,1% quanto têm um filho; 4,8% quando têm dois; 7% quando têm três ou mais.

Portugal atinge resultados claramente mais igualitários quando comparado com a média da União Europeia: 11% das mulheres sem filhos trabalha em part-time e só 8,5% das que têm um ou dois filhos tem um emprego a tempo parcial; entre as que têm três ou mais filhos, a percentagem sobe para 13,7%. Entre os homens, a discrepância não é tão acentuada como no resto da Europa: 7% dos que não são pais trabalham em part-time; menos de 4% dos que têm um ou dois filhos estão nessa situação; e perto de 8% com três ou mais filhos trabalha a tempo parcial. No pódio dos países mais desiguais, estão a Holanda, a Alemanha e o Reino Unido, onde, seja qual for o número de filhos, mais de metade das mães (no caso da Holanda, as percentagens ultrapassam mesmo os 80%) trabalha a tempo parcial.

Mulheres ganham 84 cêntimos por cada euro que os homens ganham

Em 2014, a desigualdade salarial na União Europeia foi de 16,1%. É o mesmo que dizer que, em média, as mulheres receberam 84 cêntimos por cada euro que os homens receberam pelo mesmo trabalho.

As diferenças variam muito entre cada país. Neste campo, os países que mais se aproxima da igualdade são Malta e Eslovénia, onde a desigualdade salarial entre homens e mulheres é inferior a 5%. Na Alemanha, Estónia, Áustria, República Checa e Eslováquia, a diferença é superior a 20%. Em Portugal, a diferença é de 14,5%.

O Eurostat salienta que “parte das diferenças nos vencimentos auferidos por hora pode ser explicada por características individuais (como experiência e educação) e por segregações de género em diferentes setores (por exemplo, há mais homens do que mulheres em certas ocupações que, em média, pagam melhor comparando com outras ocupações)”.

Fonte: Dinheiro Vivo