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Os progressos no sentido de reduzir a desigualdade salarial entre os géneros nos Estados Unidos desaceleraram desde 2001. Se a mudançaWork Piling Up persistir neste ritmo, as norte-americanas só ganharão o mesmo que os homens por volta de 2152.

As mulheres de Nova Iorque têm a menor desigualdade salarial de todos os 50 estados dos EUA e recebem 89 cêntimos por cada dólar que os seus colegas do sexo masculino ganham.

Dificilmente isso soará como uma boa notícia -- até que se vejam os números de Wyoming. Apelidado de estado igualitário, cujo lema é "igualdade de direitos", Wyoming é um lugar onde ser mulher não compensa muito - na verdade, nesse estado paga-se às mulheres apenas 64 cêntimos por cada dólar do salário de um homem, a pior proporção nos EUA.

O avanço para reduzir a desigualdade salarial entre os géneros em todo o país desacelerou desde 2001, de acordo com "The Simple Truth About the Gender Pay Gap", um relatório publicado na quinta-feira pela American Association of University Women (AAUW). Se a mudança persistir nesse ritmo, as mulheres dos EUA ganharão o mesmo que os homens por volta de 2152, de acordo com o relatório do grupo.

Ao mesmo tempo, no entanto, a proporção de rendimentos entre homens e mulheres em todo o país foi de 79,6% no ano passado, a menor em dados ajustados à inflação que remontam a 1960. E a perspectiva para a paridade difere drasticamente entre os estados.

Muito se debate sobre como interpretar a desigualdade salarial entre os géneros. Quem usa como prova de discriminação o tão citado dado estatístico de que nos EUA as mulheres ganham 78 cêntimos por cada dólar recebido por um homem (o número pende mais para 80 cêntimos) não está a usar a mesma medida para a comparação, argumentam alguns investigadores que citam diferenças na quantidade de horas trabalhadas e na escolha profissional, entre outras.

O cepticismo em relação a esse indicador é válido, diz Catherine Hill, vice-presidente de pesquisa da AAUW. Esse número é abrangente e mistura muitos aspectos, como idade e ocupação, refere, acrescentando que se trata de um número mais interessante para evidenciar tendências, como a redução da diferença salarial durante as décadas de 1980 e 1990, "quando as conquistas académicas das mulheres actuaram como um motor", e a estagnação da linha que marca essa diferença nos últimos 15 anos.

Após tomar em consideração a idade, a ocupação e outros dados, ainda resta uma diferença salarial que não pode ser explicada, explica por seu lado a professora de Economia de Harvard Claudia Goldin. "Mas", acrescenta, "não sabemos o suficiente para afirmar que uma desigualdade salarial entre os géneros se deve à discriminação".

Hill, da AAUW, salienta que, após monitorizar 11 factores, o relatório conclui que existe uma diferença de 7% um ano depois de as mulheres se terem licenciado. "Isso diz-nos que há outra coisa que está a acontecer", sublinha. "Sim, as escolhas que fazemos têm um peso grande nisso, mas também se trata das escolhas que as pessoas pressupõem que nós faremos", como ausentarmo-nos do mercado de trabalho para criar os filhos ou cuidar de outros familiares.

Fonte: Jornal de Negócios