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Desemprego e baixa de salários – principais causas de pobrezaO Centro Desportivo e Cultural da Biquinha acolheu, no passado sábados, as Jornadas de Reflexão para a Erradicação da Pobreza, iniciativa organizada pelas MSD - Movimento das Mulheres Sociais-democratas e da ADDIM - Associação de Desenvolvimento de Mulheres e Crianças Vítimas de Violência.

O debate, moderado pela líder da Concelhia matosinhense do PSD, Clarisse Sousa, contou com as intervenções de Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias, do médico Artur Osório, de Agostinho Branquinho, deputado da Assembleia da Republica e de Giovanna Toscano, representante da ADDIM.

"Não sei o que é ser pobre mas estou a aprender convosco. Há 14 anos ajudei a construir este pavilhão e sinto-me triste porque está em más condições e a Câmara parece não estar empenhada em ajudar", disse Manuel Lemos que à data de construção do pavilhão do Centro Desportivo e Cultural era Comissário Regional do Norte pela Luta Contra a Pobreza. Aliás a placa descerrada em 1994 que está, actualmente, na fachada deste equipamento da Biquinha contém os nomes de Manuel Lemos, actual presidente da Associação das Misericórdias e de Narciso Miranda, antigo presidente da Câmara de Matosinhos.

Já Artur Osório alertou que "em Portugal há sinais muito evidentes de pobreza" e afirmou que "as maiores vítimas são as mulheres". "Portugal é o segundo país da União Europeia em que há mais crianças em risco de pobreza", disse o médico, acrescentando que os índices portugueses só são superados, "pela negativa", pela Polónia.

O desemprego e a baixa de salários foram apontados com principais causas de pobreza, daí que Artur Osório tenha defendido que é "importante e urgente preparar os cidadãos para o combate da produtividade", acusando o poder político de estar muito ligado ao poder económico".

Giovanna Toscano deu a conhecer o ponto de vista de uma brasileira que chegou a um Portugal que está, para a representante da ADDIM, a caminhar a passos largos no sentido de "copiar" os maus indicadores de pobreza e
violência que já são uma realidade no Brasil.

E por fim, Agostinho Branquinho falou da obrigação que sente enquanto político e cidadão: "Tenho de ajudar quem for possível a sair destas situações de pobreza. A nossa missão é tentar encontrar soluções para acabar com o flagelo social de existirem pessoas que precisam de dinheiro para bens básicos que não têm".

O deputado disse "não defender rendimentos dados pelo Estado sem que sejam exigidas contra-partidas", explicando que "às vezes o que é dado não traz o gozo de ser conseguido". Em suma, Agostinho Branquinho defendeu a velha máxima: "Não dês o peixe dá a cana e ensina a pescar".

A realidade de Matosinhos não foi esquecida neste debate. Depois de Manuel Lemos ter lamentado o estado em que encontrou alguns equipamentos da Biquinha, Artur Osório referiu que "Matosinhos tem condições propícias à revolta dos guetos" e acusou a actual liderança socialista da Câmara de estar "ligada a oligarquias" e de "esquecer quem mais sofre e precisa".
Fonte: in Jornal Matosinhos