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Crise faz desemprego disparar 16% em SetembroIEFP. O número de pessoas que se inscreveram nos centros de emprego no terceiro trimestre é o mais alto desde, pelo menos, 2003. Em Setembro, o crescimento foi de 16,4%, o mais alto dos últimos quatro anos.

Fim de contratos é a causa mais comum de desemprego

A crise financeira e a forte travagem do crescimento económico estão já a sentir-se no mercado de trabalho. Em Setembro, inscreveram-se nos centros de emprego 65,9 mil pessoas, o que representa um crescimento de 16,4% face ao mesmo mês do ano anterior - o maior registado no nono mês do ano desde, pelo menos, 2004 (o site do Instituto de Emprego e Formação Profissional não tem dados mais recentes). Em relação ao mês anterior, a variação foi, como é habitual em Setembro, bastante acentuada - de 52,7%.

Mais preocupante, porque mais estrutural, é a evolução trimestral. Durante o terceiro trimestre (que terminou no mês passado), inscreveram-se nos centros de empregos 159,8 mil desempregados. Não só, é o valor mais alto (ainda que marginalmente) desde, pelo menos, 2003, como a variação homóloga, de 12,4%, é a mais acentuada desde 2004.

O tendencial aumento do número de pessoas que se regista nos centros de emprego já se começou a reflectir no stock (número acumulado) de desempregados do IEFP. Em Setembro, ascendia a 395,2 mil. Embora o número seja inferior ao registado no mesmo período do ano anterior, a diferença é já residual (0,7%), o que contrasta com as variações de dois dígitos que dominaram boa parte de 2007 e início de 2008.

Quatro em 10 estavam a prazo

Como é habitual, o principal motivo invocado pelas pessoas que se matricularam como desempregados no IEFP é a não renovação de contrato a termo. Em Setembro foram 25,4 mil, cerca de 40% do total.

Este motivo de despedimento registou um crescimento inferior ao médio. Pelo contrário, o número de pessoas que foi despedida no nono mês do ano, 10,4 mil, cresceu muito mais (38,4%), o mesmo se passando com os trabalhadores que, por uma razão ou outra, optaram por rescindir o contrato (4697), que aumentaram em 31,1%.

Ofertas e colocações crescem

Mas os números sobre a actividade do IEFP também trazem boas notícias. Em Setembro, os empregadores apresentaram aos centros de emprego um conjunto de 13 mil ofertas de emprego, mais 17% do que no mês homólogo e mais 25% do que em Agosto. Por outro lado, os serviços do IEFP conseguiram arranjar emprego a 6785 pessoas, o que representa um crescimento homólogo e mensal de 24% e 32%, respectivamente.

Fonte: Manuel Esteves, in Diário de Notícias