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Angola, o “ El Dorado” do empregoAngola está na berra num momento em que o emprego na Europa definha a passos largos. As profissões técnicas, como engenheiros são as mais procuradas.

Engenheiros, advogados, consultores são algumas das profissionais mais procuradas para trabalhar em Angola e as empresas especializadas em recrutamento de recursos humanos estão a eleger como mercado prioritário os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Apesar das preferências recaírem sobre angolanos com curso superior português, desde o início do ano são cada vez mais os profissionais lusos - quadros médios e superiores - que se viram para Angola devido aos efeitos da crise económica que se fazem sentir no mercado de trabalho nacional. O recrutamento de angolanos em fóruns de emprego é um negócio em crescimento à medida do desenvolvimento económico do país do ouro negro. Com milhares de vagas por preencher, a Jobfair é uma das três empresas de recursos humanos a operar no mercado nacional. É a única portuguesa, as outras duas são inglesas, e organiza fóruns em Lisboa para caçar talentos para Angola. Um negócio que se tem multiplicado desde 2003, data em que a Jobfair organizou o primeiro fórum de recrutamento exclusivamente dedicado a africanos.

No mercado desde o início de 2002, a Jobfair Eventos surgiu com o intuito de implementar Feiras de Emprego em Portugal (Job Fairs). Em 2007 surge a Jobfair Global Search & Associates, dedicada ao recrutamento e selecção de candidatos oriundos dos PALOP. Hoje este negócio pesa 50% da facturação total do grupo, com 90% dos recrutamentos a realizarem-se para Angola.

"Em 2008, colocámos 350 pessoas, das quais cerca de 302 angolanas e 47 portugueses", revela João Costa, director geral da Jobfair, explicitando o conceito de "expatriados portugueses": abrange contrato de trabalho e visto durante algum tempo, normalmente dois anos, renováveis por igual período.

Só este ano já estão agendados dois fóruns em Lisboa. Há 1500 vagas para preencher por jovens africanos residentes na Europa. Um dos alvos são angolanos com curso superior português, com ofertas de emprego entre os 2000 e os 5000 mil dólares. É que, explicou João Afonso, da Jobfair, empresa que organiza o evento e que também faz recrutamento, "as leis de trabalho em Angola obrigam as empresas sediadas naquele país a preencher 80% dos recursos humanos com angolanos.

Mas desiludam-se os portugueses que julgam estar-lhes vedada tanta oferta de emprego. Existem dezenas de vagas destinadas a portugueses e para preencher cargos de topo: "são também necessárias pessoas com bastante experiência", frisa João Costa. Nestes caso, as ofertas abrangem engenheiros para várias especialidades (Minas, Informática, Telecomunicações, Electrotécnicos...), gestores comerciais, economistas, advogados, geólogos (para apoio às petrolíferas). A esta lista de oferta de profissões juntam-se ainda os cursos de Psicologia e Direito, onde se constata um crescimento num país emergente como Angola, em contraste com a saturação do mercado português para estas áreas.

Salários de 20 mil dólares


Aos quadros superiores portugueses as ofertas de salário podem chegar aos 20 mil dólares, realçando o responsável da Jobfair o peso das construtoras nacionais a operar em Angola no recrutamento de recursos humanos portugueses, como é o caso da Mota-Engil e da Teixeira Duarte. Também a área de banca e seguros tem revelado, diz, um "forte crescimento", principalmente com o desenvolvimento da banca de retalho. Entre os grupos nacionais que esta empresa já prestou recrutamento constam a PT Inovação, PT Internacional, Pinto Basto, Grupo Casais Invest e Technip.

Outros dos principais parceiros desta empresa portuguesa de recrutamento são as multinacionais. É o caso do grupo petrolífero Chevron, do grupo norte-americano de maquinaria de construção Caterpillar, Solar Turbines e Panalpina. E ainda empresas africanas como a Movicel e Angoflex.

A Jobfair Global Search & Associates já conta com uma extensa base de dados com mais de 5.000 jovens recém-licenciados, dos quais cerca de 2000 são angolanos. Isto numa altura em que Angola se revela um mercado cada vez mais atractivo para o recrutamento de recursos humanos.
Fonte: Lígia Simões, in Económico