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Profissões não se ajustam à qualificaçãoProporção de trabalhadores com ensino secundário ou superior em profissões não qualificadas passou de 3% para 9% em dez anos.

O aumento generalizado da qualificação da população portuguesa não tem, aparentemente, um reflexo nas profissões exercidas, conclui um estudo ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A proporção de pessoas qualificadas em profissões que exigem tarefas simples e esforço físico aumentou de forma expressiva na última década. 3,4% dos trabalhadores de profissões não qualificadas - dos serviços, da construção ou da indústria -tinham, em 1998, o ensino secundário ou superior. A percentagem sobe para 9,2% em 2007.

"A qualidade de acesso ao mercado de trabalho pressupõe a obtenção de um emprego compatível com as habilitações académicas detidas", explicam os economistas do INE.

O Retrato Territorial de Portugal 2007, ontem divulgado, revela ainda que o "desajustamento" verificado nas profissões pouco qualificadas se ampliou em todas as regiões, tendo mais do que triplicado no Norte e em Lisboa. O Algarve é um caso mais expressivo, com a proporção a aumentar sete vezes, para 14,1%.

Depois, o INE faz a análise inversa, a partir da descrição das qualificações dos quadros superiores da administração pública, dirigentes e quadros superiores de empresa. Em 1998, 45% dos profissionais deste grupo - responsáveis pela aplicação da política governamental ou da empresa - tinham habilitações iguais ou inferiores ao 1.º ciclo do ensino básico. Em 2007, passam a representar 29% do total (ver caixa). Alentejo e Madeira registaram os maiores progressos.

Já no caso dos especialistas das profissões intelectuais e científicas, verifica-se uma maior convergência entre o tipo de qualificação exigida e o nível académico dos respectivos empregados, com a proporção de licenciados a aproximar-se dos 100%.

"Esta evolução revela um aumento generalizado da qualificação da população sem aparente reflexo entre as profissões exercidas", concluem. Os Açores apresentam o menor grau de desajustamento e o Algarve o maior.
Fonte: por Catarina Almeida, in Diário de Notícias