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FBI anunciou a reabertura do processo por terem sido encontradas novas mensagens numa Escândalo dos emails preocupa Hillary Clintoninvestigação paralela. A tão pouco tempo das eleições, o timing não podia ser pior para a democrata

Em síntese, em que consiste o caso dos e-mails?

Durante o período em que ocupou o cargo de secretária de Estado dos EUA (2009-2013), durante o primeiro mandato de Barack Obama como presidente, Hillary Clinton utilizou um servidor privado de e-mails para tratar de assuntos profissionais, em vez de um servidor com um nível mais elevado de proteção, detido e administrado pelo governo.

Comecemos pelo princípio: o que é um servidor de e-mail?

Um servidor de e-mail é um computador que faz a função de posto de correios virtual. No fundo, trata-se de uma máquina, equipada com software especial e desenhada para receber, enviar e armazenar mensagens eletrónicas. Um servidor privado permite criar os próprios domínios, ou terminações do endereço de correio eletrónico. Caso Hillary Clinton tivesse utilizado o servidor do Departamento de Estado, como era suposto ter feito, o seu e-mail acabaria em @state.gov. Em vez disso confiou no endereço que os seus assessores informáticos lhe criaram: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

Quando e onde foi instalado o servidor em causa?

Hillary já tinha utilizado o servidor privado durante o período em que foi senadora (2001-2009) e também para a sua candidatura às primárias do Partido Democrata, contra Barack Obama (2008). O computador estava instalado na cave da residência dos Clinton, em Chappaqua, Nova Iorque, e foi atualizado pouco tempo antes da tomada de posse como secretária de Estado, em janeiro de 2009.

Hillary Clinton percebe alguma coisa de informática?

Não e esse revelou-se um dos principais problemas. A candidata democrata encaixa no rótulo de infoexcluída. Durante os quatro anos em que serviu como secretária de Estado, Clinton nunca teve um computador no escritório. O telefone Blackberry, ao qual estava habituada, era a sua tábua de salvação. O problema é que o seu uso não estava permitido dentro da zona restrita do Departamento de Estado por questões de segurança. Assim, por limitações de habilidades informáticas e por "conveniência", como a própria explicou, Hillary acabou por realizar todas as comunicações eletrónicas através do seu endereço de e-mail pessoal, radicado num servidor privado, ao qual tinha acesso através do seu Blackberry.

Utilizar um servidor e um e-mail privado é contra a lei?

Tecnicamente, não. Tal como concluiu a investigação do FBI, "não havia restrições no uso de contas de e-mail pessoais para lidar com questões profissionais do dia-a-dia". Ainda assim esta prática era, no entanto, segundo o inspetor-geral do Departamento de Estado, Steve Linick, "fortemente desencorajado". Um funcionário que utilizasse uma conta de e-mail privada devia garantir que todas as comunicações eram posteriormente reenviadas para as contas geridas pelo governo. O que não poderia acontecer em momento algum é que mensagens contendo informação considerada classificada fossem transmitidas através de e-mails privados.

Como e quando é que o caso veio a público?

Em março de 2013 o site Smoking Gun divulgou que um hacker tinha entrado na conta de um velho assessor de Hillary, o jornalista Sidney Blumenthal. Os e-mails que foram revelados mostraram que a secretária de Estado utilizava uma conta privada. Mas foi apenas em março de 2015, com uma notícia publicada pelo The New York Times, que ficou a saber-se que todas as comunicações eram feitas através desse endereço de e-mail. O próprio Departamento de Estado só tomou conhecimento desse facto em 2014, depois de a comissão de inquérito responsável por investigar o ataque à embaixada norte--americana em Bengasi, na Líbia, ter requisitado alguns documentos para analisar.

Os e-mails continham informação confidencial?

Depois de levantada essa dúvida, o FBI abriu uma investigação às comunicações de Hillary Clinton durante o período em que serviu como secretária de Estado. No total estamos a falar de 62 320 e-mails. Os advogados e assessores jurídicos de Clinton fizeram uma triagem das mensagens e entregaram aos investigadores aqueles que estavam relacionados com assuntos profissionais. Eram 30 490. Os restantes, de conteúdo privado, foram apagados. Dos cerca de 30 mil que foram entregues às autoridades veio a confirmar-se que 110 mensagens, divididas em 52 trocas de e-mails, continham informação classificada no momento em que foram enviadas ou recebidas. Em oito dessas trocas havia material "top secret", 36 continham informação considerada apenas "secreta" e oito tinham conteúdo "confidencial". Além destes, cerca de outros dois mil e-mails foram posteriormente classificados como contendo informação confidencial.

Entre os apagados também havia e-mails profissionais?

A investigação, recorrendo à análise de outros computadores envolvidos nas trocas de mensagens e reconstruindo fragmentos dos que tinham sido apagados, concluiu que sim e que havia mais três que continham informação confidencial no momento em que foram enviados. Ainda assim, "não foram encontradas evidências de que alguma destas mensagens tenha sido apagada de forma intencional, propositadamente para esconder informação", concluíram os investigadores.

Quais foram as principais conclusões do FBI?

"Apesar de não termos encontrado indícios de que a secretária de Estado Clinton e a sua equipa tenham tido intenção de violar as leis relacionadas com o tratamento de informação confidencial, há provas de que foram extremamente descuidados ao lidar com essa informação", disse aos jornalistas James Comey, o diretor do FBI, na divulgação das conclusões da investigação, a 5 de julho deste ano.

O servidor privado de Hillary foi pirateado?

Talvez sim. O FBI não encontrou provas nesse sentido, mas, segundo os investigadores, isso não quer dizer que os hackers não tenham conseguido entrar, uma vez que podem tê-lo feito sem deixar pistas da sua presença. As conclusões vão mais longe. Dizem que, uma vez que houve piratas informáticos que conseguiram aceder a contas de pessoas com quem Clinton trocava mensagens, "é possível que intrusos hostis tenham tido acesso ao e-mail pessoal" de Hillary. Perante as conclusões do FBI e a recomendação de não seguir adiante com o processo, o Departamento de Justiça arquivou o caso.

A que se deve a reabertura da investigação?

Enquanto estava a trabalhar numa investigação paralela, o FBI deparou-se com novos e-mails até agora desconhecidos. As novas mensagens foram encontradas na análise ao computador do democrata e ex-membro da Câmara dos Representantes Anthony Weiner, acusado de enviar mensagens de cariz sexual para menores. O portátil em causa era partilhado com a sua mulher, Huma Abedin, uma das mais antigas assessoras de Hillary Clinton, que já tinha sido interrogada nas investigações anteriormente realizadas pelo FBI.

Quais podem ser as consequências?

É impossível prever e dificilmente haverá informações esclarecedoras até às eleições. O fantasma, segundo os analistas, poderá prejudicar Hillary Clinton em termos eleitorais.

Fonte: DN