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Saiba como vender e comprar fundos de investimento.The_Winners_Circle

  • Vender

Por vezes, um fundo de investimento pode facilmente transpor a barreira do racional e tornar-se algo pessoal. Quando isso sucede, a sua alienação torna-se num acto doloroso, sobretudo quando é preciso assumir perdas. Mas também quando os ganhos de um ano ficam bem acima da média dos seus concorrentes, os investidores devem colocar a hipótese de se livrarem do fundo porque, provavelmente, o que têm em carteira não é exactamente o que pensam. Em qualquer uma das situações é fundamental haver um distanciamento emocional dos produtos e nunca levar a peito as perdas nem empolar os ganhos.

Descubra mais em detalhe estes e outros sinais que os fundos de investimento revelam e que o alertam para uma eventual alienação dos mesmos.

1 - Mau desempenho constante
Se num ano, um fundo apresentar um desempenho inferior à média da sua categoria isso pode não significar obrigatoriamente nada de preocupante. Porém, o mesmo não sucede se as rendibilidades decepcionantes perdurarem durante dois, três ou mais anos consecutivos. Neste caso, o melhor é ponderar trocar de fundo para outro da sua classe pois o fundo que tem em carteira não está a merecer o seu dinheiro. É desta forma que devem pensar os subscritores do Millennium Obrigações Europa que, no último quinquénio, têm acumulado perdas anuais de 3,44% enquanto que, no mesmo período, os restantes fundos de obrigações europeias geridos em Portugal apresenta uma rendibilidade média anual de 2,52%.

2 - Alteração da estratégia de investimento
Por vezes os gestores mudam ligeiramente a política de investimento do fundo ou simplesmente são substituídos por outros profissionais que trazem consigo novas ideias e até uma nova estratégia. Imagine que compra um fundo que aposta em empresas de pequena e média capitalização e, de repente, o gestor começa a comprar acções de grandes empresas ou então que o seu fundo acaba por fundir-se ou ser adquirido por outro fundo. Com a ocorrência destas situações todas as razões que o levaram a comprar o fundo esfumaram-se e, por isso, está na hora de ponderar o seu resgate e começar a estudar novas alternativas.

3 - Os objectivos de vida mudaram
Á medida que a sua vida profissional e pessoal vai evoluindo, também as suas prioridades financeiras vão-se alterando. O mesmo sucede com a sua estratégia de investimento e por arrasto com os seus fundos. Imagine que construiu uma carteira de fundos com o objectivo de dentro de 10 anos adquirir uma casa. Porém, ao fim de dois anos decide casar e como a sua cara metade já tem uma casa decidem ir viver para lá. Nesse exacto momento os seus objectivos de investimento alteraram-se e, por isso, também o seu portefólio deverá ser re-orientado com possíveis novos fundos.

4 - Precisa de liquidez
Vender um fundo pode ser mais difícil do que comprar, especialmente quando as perdas do investimento realizado são avultadas. No entanto, se precisar do dinheiro por uma razão pontual e o dinheiro da conta à ordem não é suficiente e a possibilidade de contrair um crédito está fora de questão, pondere então vender as unidades de participação do fundo. Mas lembre-se que esta decisão deve ser colocada como sendo a última hipótese ao seu dispor.

5 - Ganhos demasiado bons
Pode até parecer ilógico, pois ninguém se deve queixar de conseguir amealhar ganhos elevados, mas a verdade é que se tem um fundo de baixo risco que alcança uma rendibilidade de 50% quando os da sua categoria ficam-se pelos 5%, o mais provável é que tenha comprado um fundo bem diferente do que desejava. Talvez esteja na hora de voltar a ler o prospecto do fundo para não correr o risco de sair escaldado quando o fundo sofrer uma correcção do mesmo nível que realizou na escalada.

6 - Rendibilidade abaixo do esperado
Quando um fundo regista perdas bem superiores ao que era suposto, atendendo a sua estratégia de investimento, algo está errado. Imagine um fundo de obrigações que perdeu 39% num ano em que os seus concorrentes sofreram uma perda muito menor. Foi o caso do BPN Conservador em 2008, um fundo de obrigações de taxa variável. Por culpa de um mar de resgates por parte dos seus subscritores numa altura em que o mercado obrigacionista passava por momentos menos favoráveis, o fundo foi obrigado a vender os activos bem antes de estes atingirem a maturidade para garantir liquidez suficiente para pagar aos seus subscritores. Para isso, o seu gestor, em algumas ocasiões, foi obrigado a vender as obrigações abaixo do preço de compra e a assumir perdas elevadas. Os subscritores deste fundo deveriam estar atentos e ter cortado o mal pela raiz quando o fundo começou a derrapar mais que os seus concorrentes. Nessa altura deveriam ter vendido o fundo antes da fase da "queda livre".

7 - Não consegue dormir descansado
O principal propósito de investir as suas poupanças passa por atingir um determinado objectivo e não de criar uma úlcera no estômago. Por isso, se o seu fundo apresenta uma volatilidade tal que não o deixa dormir descansado à noite o provável é que não seja o produto mais adequado para o seu perfil de risco. Como tal, o melhor é ponderar vendê-lo antes que as insónias destruam as suas noites e os seus dias.

Ao construir um portefólio de fundos de investimento o investidor está a colocar o seu dinheiro nas mãos de um estranho. Mas isso não significa que a responsabilidade esteja apenas do lado de quem gere as suas poupanças. Cabe ao investidor fazer o trabalho de casa e escolher o fundo e a equipa de gestão que mais créditos oferece. É preciso estudar o passado mas também antever o futuro, fazer contas às comissões a pagar. É fundamental conhecer os fundos e, muito importante, conhecer-se a si mesmo e nunca cometer os mesmos erros duas vezes. Por isso, para não ficar escaldado da próxima vez que consultar o estado da sua carteira, tome atenção a sete regras que o vão ajudar a comprar os fundos certos. Para a semana, o Diário Económico diz-lhe quando é que deve ponderar a venda dos fundos.

  • Comprar


1 - Pesquise o máximo que puder
A compra de um fundo de investimento assemelha-se muito à compra de uma casa: antes de decidir pela "tal" é preciso ver muitas. O mesmo sucede com os fundos. Antes de tomar uma decisão é fundamental que percorra o mercado a "pente fino". Depois passe por alguns sítios para tomar conhecimento em mais detalhe sobre os produtos. É o caso do sítio da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (www.apfipp.pt) onde poderá comparar os desempenhos e a classe de risco de todos os fundos de investimento nacionais. No sítio da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários poderá, entre outras, ficar a par das transacções realizadas pelo fundo durante o mês. Mas se pretender comparar um fundo estrangeiro use a ferramenta da Morningstar disponível no sítio do Diário Económico.

2 - Compreenda a estratégia
Uma das principais frases que se pode ler em qualquer prospecto diz que as "rendibilidades passadas não são garantia de rendibilidade futuras." Esta é a principal lição que os investidores devem retirar quando pretendem investir as suas poupanças em fundos de investimento. Leia atentamente o prospecto do produto com o intuito de ficar esclarecido quanto à estratégia e aos objectivos de gestão do fundo para ficar ciente do verdadeiro risco que estará a incorrer e das rendibilidades potenciais que poderá amealhar. Só depois de perceber exactamente o que vai comprar é que deve tomar uma decisão. Não caia em tentações de comprar o que o seu amigo ou o seu vizinho compraram. Lembre-se que o que foi bom para eles pode não vir a ser bom para si.

3 - Corredores de longa distância
Dizer que um fundo rendeu 7% por ano no último quinquénio é muito diferente de dizer que o fundo deu 7% ano passado. Qualquer fundo pode ter um ganho fora de série e ganhar muito acima dos seus pares num ano, mas manter consistência nos ganhos e na estratégia é mais complicado. Por exemplo, o melhor fundo poupança reforma em 2009 foi também o pior em 2008. Se está a indeciso entre um e outro fundo não caia no erro de comparar rendibilidades em períodos curtos. Prefira escolher um maratonista a um velocista com pouco pulmão.

4 - Aposte num CV vencedor
O sucesso de um gestor mede-se da mesma forma que o sucesso de um treinador de futebol: pelos resultados alcançados. É por isso preferível investir num fundo gerido por um profissional com provas dadas do que por alguém que começou agora a gerir carteiras de investimento. Consulte o prospecto do fundo e o sítio da casa de investimento que gere o fundo para saber mais sobre o historial do gestor e da equipa de gestão do fundo. Mas atenção: é verdade que um gestor com um passado recheado de bons resutados é um bom prenúncio mas só isso não chega para fazer um bom fundo.

5 - Um carimbo vencedor
Se o fundo que lhe suscitou interesse é gerido por um gestor com pouca experiência e sem grandes feitos passados, não o descarte já da sua lista. Se o fundo apresentar uma forte estratégia e uma sólida identidade marcada por bons desempenhos talvez mereça uma segunda oportunidade. Confirme apenas se o novo gestor tem acompanhado de perto a gestão do fundo. Foi o caso do Fidelity European Aggressive, que depois de ter registado em 2008 um dos piores anos da sua história, trocou de gestor em Novembro do mesmo ano e hoje está novamente entre os melhores da sua classe.

6 - O poder dos rácios financeiros
Comparar fundos de investimento não se resume a uma análise de rendibilidades. O nível de risco é outra variável que os investidores deverão ter em atenção. Por isso, na hora de optar por um fundo, deverão ter em atenção ao rácio Sharpe, por exemplo, que combina a rendibilidade e o risco. O mesmo sucede com o rácio Sortino. No caso deste indicador, que estabelece uma relação entre a rendibilidade do fundo e as oscilações das unidades de participação apenas quando o fundo sofre correcções, o investidor fica a saber qual o fundo mais sólido e o que menos sofre os as quedas do mercado. É importante que estas comparações se façam apenas entre fundos da mesma categoria. Se a matemática não é o seu forte não tem problema. Apenas precisa de ordenar os fundos pela plataforma de pesquisa de fundos do seu banco e escolher o que oferece o rácio de Sharpe e de Sortino mais elevado.

7 - Cuidado com os custos
São muitos os fundos que ainda cobram comissões de subscrição e de resgate. Se for esse o caso do fundo que tem debaixo de olho, desconfie. Não há qualquer justificação para a sociedade gestora lhe cobrar comissões na hora de entrar e sair do fundo. Bem diferente é a comissão de gestão. Neste caso, não siga a estratégia do poupadinho pois nem sempre a solução mais económica é a melhor: um fundo que ofereça rendibilidades de 6% ao ano e cobre uma comissão de gestão de 2,5% continua a ser bem melhor que um fundo concorrente que, apesar de cobrar 1% para gerir o seu dinheiro, apresenta um desempenho de 1%. Se custos mais elevados justificarem ganhos maiores talvez valha a pena subscrever um fundo que cobre comissões de gestão mais elevadas.

Fonte: Económico