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Associação louva Galp por incluir botijas de gás e combustíveis, mas condena que desconto não seja imediato. No da EDP, repara que obriga a adesão online e que não tem bi-horário

A Deco comparou as novas campanhas de descontos que a EDP Comercial e a Galp e o Continente lançaram para o mercado livre de luz e gás e concluiu que, na eletricidade, a oferta da EDP é melhor para quem consome mais e que a da Galp e do Continente é mais vantajosa para quem consome menos. Ainda assim, a associação defende que todos os consumidores devem usar os simuladores para confirmar se esta conclusão se adequa ao seu perfil.

"A proposta da Galp e do Continente seduz pelos 50%, os 50% são apenas sobre o termo fixo da fatura (reflete o custo com a potência que contratou). Já a EDP oferece 10% sobre os termos fixo e variável (consumo propriamente dito). Por exemplo, para uma potência de 3,45 kVA e um consumo anual típico de 1700 kWh/ano, o desconto de 50% da Galp e Continente sobre o termo fixo é de 35 euros. O desconto de 10% oferecido pela EDP é de 7 euros sobre o termo fixo e de 33 euros sobre o variável, o que totaliza 40 euros", explica a Deco numa nota publicada no site esta tarde.

Concluiu assim que, "quanto maior for o consumo, maior será a vantagem em aderir ao plano da EDP em vez de ao da Galp e Continente. Mas se, pelo contrário, consumir pouco, este último pode ser mais adequado ao seu perfil". E ressalva, "só uma simulação pode clarificar a melhor opção para si".

Segundo a associação de defesa do consumidor, o que isto mostra é que "as aparências enganam", porque os 10% de desconto que a EDP dá nas suas novas ofertas - o Casa Total 10 (luz e gás) e Casa 10 (só eletricidade) - "podem valer mais do que" os 50% que a Galp e o Continente dão no Plano Energia.

Acresce ainda que a oferta da Galp e do Continente tem algumas condições que se não forem cumpridas fazem baixar os descontos. "O Plano Energia oferece desconto de 50% sobre o termo fixo e implica débito direto e fatura eletrónica. Sem estas duas condições, o desconto desce para 40%. Na tarifa bi-horária, a redução é de 30%, mas desce para 20% sem débito direto e fatura eletrónica", repara.

Contudo, para a Deco, os planos da EDP também não são perfeitos não só porque não têm opção de bi-horário mas também porque apesar de o desconto ser sempre 10% e ser sobre a conta toda "obriga a débito direto e fatura eletrónica" e ainda a aderir online, ou seja, neste caso o Plano Energia é mais vantajoso porque permite aderir de qualquer forma.

Plano da Galp e Continente tem mais inconvenientes

Para a associação, a oferta da Galp e do Continente tem mais inconvenientes que as da EDP.

"O grande senão do Plano Energia é que a poupança é indireta. Na EDP, o desconto é feito diretamente na fatura, o que é muito mais prático para o consumidor", repara. Aliás, diz mesmo: "A EDP comercial responde ao Plano Energia da Galp e do Continente com um tarifário igualmente competitivo. Numa coisa já ganhou: a poupança é direta. Com a Galp e o Continente, descontos só em cartão".

Segundo explica a Deco, no Plano Energia "o desconto é atribuído através de um cupão que chega com a fatura mensal de energia, e que deve ser levado a uma loja Continente no prazo de um mês para ser creditado no cartão. O desconto só fica disponível no dia seguinte, tal como quando fazemos compras. Quem opta pela fatura eletrónica, tem de a imprimir e o resto do processo é igual", explica. Por isso, diz, "a conversão de cupões em crédito no cartão não é simples, dá trabalho ao consumidor e pode levar a que alguns talões fiquem por usar. Os descontos convertidos para cartão não são revogáveis caso mude de operador".

Mas há mais. "o desconto tem de ser obrigatoriamente usado nas lojas Continente e suas associadas" e isso é um "inconveniente" porque essas lojas podem não ser as de eleição dos consumidores, podem não existir na zona onde eles moram ou pode mesmo haver melhores preços noutras. "Estes fatores devem ser ponderados", avisa a Deco.

Outra desvantagem é que "o tarifário é indexado, ou seja, muda se alterarem as tarifas transitórias, o que pode acontecer trimestralmente. Os da EDP, não", repara.

E por fim, a associação de defesa dos consumidores alerta ainda que o Plano da Galp e do Continente tem limites naquilo em que dá novidades e em que se distingue, ou seja, nos descontos no combustível e no gás de botija.

"É a grande originalidade trazida por esta campanha, especialmente porque há 2,5 milhões de lares presos à botija, para necessidades tão essenciais como cozinhar e tomar banho", diz a Deco, mas o desconto de 10% nas botijas iguais ou inferiores a 13 kg "são cerca de 2,5 euros no cartão, com o limite de uma compra mensal com desconto".

E "para ter combustível 12 cêntimos mais barato, tem de primeiro gastar pelo menos 30 euros no Continente".

Ainda assim, a DECO repara que tinha razão nas suas reivindicações. "Há margem para os operadores oferecerem, direta ou indiretamente, melhores tarifas aos consumidores. Acreditamos que estes tarifários são uma resposta às nossas iniciativas para mexer no mercado energético em prol dos consumidores: o leilão de energia, a campanha Poupe na Botija e a primeira negociação coletiva de combustíveis DECO Mais. O mercado de energia em 2015 está ao rubro e a DECO congratula-se com isso".

Fonte: Dinheiro Vivo